Tenho 44 anos e há três anos atrás
resolvi procurar um médico para me ajudar a engravidar, já que percebi
que naturalmente as coisas não aconteciam. Fui ao médico que me atendia
já há 20 anos e ele me disse que se não tinha acontecido era melhor não
tentar provocar, pois o bebê poderia nascer com uma série de problemas
e eu iria me arrepender posteriormente. Ainda assim, ele perguntou se
eu queria tomar alguma medicação para incentivar a ovulação e eu disse
que sim, que estava disposta a tentar de alguma maneira. Tomei uns
comprimidos por cinco meses, que me faziam sentir calor e frio ao mesmo
tempo, e todo mês fazia ultra-som transvaginal para ver como estava a
ovulação, que sempre estava com o tamanho do folículo normal, mas nunca
engravidava. Após os 5 meses, fui encaminhada para um especialista em
reprodução humana, renomado, que me pediu um exame chamado
histerossalpingografia, muito horrível, no qual pode se ter uma idéia
quase que radiográfica de tosos os órgãos reprodutores e co-ligados.
Por esse exame ele constatou que minhas trompas tinham sofrido algum
tipo de lesão e que não estavam aparecendo inteiras na radiografia,
portanto até mesmo a inseminação artificial seria perdida pois não
sabia se o óvulo chegaria ao útero. Propôs a FIV - fertilização in
vitro, já feita de graça em alguns hospitais aqui de São Paulo, porém
no esquema de "entrar na fila" e aguardar a vez, o que, para uma mulher
de 41 anos na época, ia reduzindo ainda mais as chances de realizar o
grande sonho. A outra proposta seria o tratamento pago, a cerca de R$ 9
a R$ 10 mil por tentativa, sendo que minhas chances iriam diminuindo a
cada dia que se passava. Resolvi esquecer tudo, é claro depois de
chorar muito, pensando em tantas mulheres que têm filhos e os deixam
largados nas ruas ou dão embora, e eu querendo ter apenas um... Bom,
três anos depois, sem nada esperar, minha menstruação que sempre foi
regular começou a falhar. No segundo mês resolvi fazer um teste de
farmácia e deu positivo. Fiz um HCG e também deu positivo, aí resolvi
voltar naquele primeiro médico que me atendia e pedir a opinião dele.
Sem acreditar, ele olhou o resultado do exame e disse, é, parece
gravidez mesmo! Mas não vou dourar a pílula, nem vou denegrí-la. Vamos
esperar prá ver o que acontece.
Fiquei indignada com a reação do médico, que ainda acrescentou que
agora, com 44 anos, meu filho poderia ter um monte de problemas,
inclusive cerebrais, ou que eu poderia até mesmo morrer, porque como
sou gordinha a minha pressão poderia se elevar sobremaneira e teria uma
eclâmpsia, matando meu filho e a mim mesma. Mesmo assim, tentei ficar
tranquila e aguardar o desfecho da gravidez. Hoje estou com 7 meses,
meu bebê é um menino, já fiz ultra-som morfológico e vimos que está
tudo bem com ele, ele se mexe bastante e aparentemente não tem nenhum
problema de saúde. E continuo indo ao mesmo médico que, agora depois de
todo esse tempo, está começando a acreditar que estou grávida.
Meu sonho foi realizado por Deus, que deu um jeito nas minhas trompas.
E tenho certeza que seremos muito felizes com o meu Lucca.